terça-feira, 12 de agosto de 2008

Sofia Coppola, cenas arrasadoras, e sons inesquecíveis!!!



Antes de assistir este filme:
“Felizmente, a maioria de nós consegue ver também com os ouvidos e ouvir e ver também com o cérebro, o estômago e a alma. Acho que vemos um pouco com os olhos, mas não inteiramente”.Wim Wenders

Um nome diz muito sobre o filme> Sofia Coppola.
Partiu de uma diretora estreante que a crítica creditava carregar apenas um belo nome, podia ser apenas mais uma atriz querendo se passar por diretora, mas foi além, para ser uma das mais brilhantes diretoras nesses dias cercados de filmes sem sentidos, para quem busca uma nova visão em meio a isso, esse com certeza é um nome de referência.
Outro nome que não poderia deixar de citar é Scarlett Johansson, sou fã, e quem acompanha pode dizer que a atriz tem escolhido seus trabalhos a dedo. Poucos trabalhos, mas que permanecem em minha vida com ótimas e inesqueciveis cenas.
Lost in Translation (Encontros e Desencontros), de 2003. Scarlett deu vida à depressiva Charlotte, juntamente com o brilhantismo de Bill Murray, para formentar uma história de solidão e descoberta de afinidade entre pessoas aparentemente incomuns.
Drama e comédia intimamente ligados por uma tênue linha que pode nos transportar a nossa propria vida. Se por um lado o filme diverte, com toda a perplexidade de Bob com tudo que lhe é estranho no Japão (onde se passa a história_) por outro ele nos perturba com uma melancolia meio que subliminar. Para ver o filme é impressindivel notar que o filme nao trata o pais como uma aberraçao e sim, pretende mostrar como o ser humano pode se transformar de maneira extraordinária quando é tirado do seu lugar comum.

Quanto a música, deixo vocês com um texto extraordinário e muito bem apresentado que trata uma fração da trilha do filme, muito singular e comovente.



"Texto publicado na Coluna Hey! do Diário de Pernambuco, em 02 de março de 2007"

Em uma cena de “Encontros e desencontros” (“Lost in translation”), de Sofia Coppola, o personagem de Bill Murray se despede de Scarlett Johansson, enquanto ao fundo um alto e lento som de bateria começa a tocar. A insistente nota do baixo antecede a guitarra aguda e distorcida. Em seguida, uma voz doce e grave canta estranhos versos: “Ouço a garota enquanto ela enfrenta metade do mundo, subindo tão viva na sua colméia que goteja mel”. O tom agri-doce da balada “Just like honey” ajudou a fazer desta seqüência a mais comovente do filme. A clássica canção abre o Psychocandy, primeiro disco do grupo The Jesus and Mary Chain, de 1985. Poucas estréias foram tão marcantes e influentes, realçadas por shows muito curtos (às vezes com menos de meia hora) e barulhentos, que atiçavam a agressividade do público. Os escoceses de nome arrogante e pomposo, que em tradução livre significa “Os descendentes de Jesus e Maria”, lançaram as bases para o som alternativo que viria depois. Os irmãos Jim (voz) e William Reid (guitarra) gostavam de Beach Boys e punk rock. Pois fizeram da mistura inusitada de melodias pop e barulhos de feedback, a referência fundamental para todas as bandas hoje rotuladas como “indie”, só comparável aos contemporâneos do Sonic Youth, vindos do outro lado do Atlântico.