quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

defeitos...

Depois de tantas noites inerte, ausente diante do meu próprio medo, enfim posso fixar meu olhar a frente, sem saber o que me espera, ou me atingiria a partir daquele momento, decidi tentar, tentar apenas o pode ser, e é quando inexplicavelmente meu olhar alcançou a parede, e observando por breve momento a impecável tinta branca pude perceber um risco, sim, o desejo de perfeição se apagou diante disso, como poderia um risco ter passado desapercebido por tantos dias, anos ou meses? Mas meu desejo de mudança me faz levantar e apenas começar a caminhar, e sob passos lentos de quem acabara de despertar, tento alcançar a parede. Passo sobre armadilhas criadas e postas ali sobre tão adorável carpete, que me impediam de caminhar pelo medo de estragar suas tramas, e assim fazer do caminho algo não tão admirável assim. Mas, a cada novo passo percebo que olhar para trás já não me interessava, tampouco me tomava pelo anseio do que poderia ter causado, e minha trajetória, pasme, foi não apenas fácil, mas posso dizer prazerosa. Ao me ver diante do risco bastou um toque sobre a tinta para que ele desaparecesse. Talvez com o tempo eu possa ver mais avidamente através desta cobertura e descobrir sob a espessa tinta uma rachadura, porém isso não me preocupa. Meu coração se tornou tão racional que substitui aquele que não merece meus pensamentos, por aquele em quem eu não devo pensar. Mas, me deito novamente e não me preocupa a mancha que ficou no lugar do risco, porque essa pode ser vista claramente, e para consertar eu sei que uma nova camada de tinta resolve, e isso é mais fácil do que se imagina.

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