Qual a realidade que nos cerca?
Vivemos em um mundo áudio-visual, onde somos atingidos constantemente por sons e imagens que tenta nos criar uma resposta para essa pergunta.
Mas quem criou essas imagens e esses sons, certamente deve ter uma percepção do mundo a sua volta bem diferente da de cada um de nós. Portanto poderíamos dizer que tais efeitos áudios-visuais que nos são vendidos diariamente são a perfeita representação da realidade a nossa volta?
O filme Janela da Alma nos mostra diversas opiniões e vivências acerca deste assunto. Neste filme, dos diretores João Jardim e Walter Carvalho, é feita uma análise sobre a importância do olhar para quem possui problemas de visão, e como tal problema interfere na sua definição e construção da realidade á sua volta.
Seguindo pelo mesmo assunto temos a Semiótica. A “ciência dos signos” - para o qual temos que signo é tudo o que tem sentido, um significado – que nos ajuda a entender como as pessoas interpretam tais signos, ou mensagens, como conseguem interagir com este, e de que formas que estes signos podem atingir cada pessoa.
“Comunicar” significa transmitir uma mensagem, ou seja, “pôr em comum" uma idéia até então singular e abstrata. Logo, podemos entender o processo de comunicação como a troca de uma mensagem entre um emissor e um receptor. Nesse contexto, é correto dizer que tudo aquilo que nos é mostrado, exposto, não é interpretado de forma rígida, todas essas mensagens, imagens e sons são constantemente modificados por cada receptor. Tal afirmação é reforçada no filme Janela da Alma, nas palavras do poeta Manoel de Barros:
“O olho vê, a lembrança revê as coisas e a imaginação é a imaginação que transvê, que transfigura o mundo”.
Manoel de Barros com isto nos fala o que a Semiótica já vem estudando há algum tempo, de que o olho humano é apenas uma ferramenta no processo de entendimento de uma mensagem, nosso olho apenas nos proporciona enxergar a determinadas coisas, porém, é nossa lembrança que traz a tona um significado para o que foi visto, até que ponto aquilo será capaz de nos atingir, ou seja, a decodificação de cada mensagem depende do conhecimento, lembranças, cultura, vivências, etc, de cada pessoa. Já a nossa imaginação é o elemento capaz de transformar essa experiência em algo único. Assim podemos entender qual a importância das emoções como elemento ativo na transformação da realidade á nossa volta.
Trazendo isso para uma hipótese real dentro do Design, podemos citar o exemplo da elaboração e conceituação de um produto. Sabemos que para viabilizar um projeto, o designer precisa conhecer o contexto tecnológico em que o produto está inserido, o problema é que este sozinho não funciona. Para ter algum impacto, o produto precisa apresentar um contexto simbólico, social e cultural de maneira que esses elementos juntos conversem de forma eficiente com o usuário. E em tal processo os Signos desempenham um papel fundamental. Sem tais Signos, não há mensagem, nada podemos transmitir ao usuário. A Semiótica estuda o que fica entre o objeto e sua representação, dando ênfase não apenas ao comportamento e apresentação dos objetos, e sim ao seu significado.
Para concluir cito o cineasta alemão Wim Wenders, no filme Janela da Alma:
“Felizmente, a maioria de nós consegue ver também com os ouvidos e ouvir e ver também com o cérebro, o estômago e a alma. Acho que vemos um pouco com os olhos, mas não inteiramente”.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário