sábado, 19 de abril de 2008

Soneto de Devoção (Vinícius de Morais)

Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica em meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.
Essa mulher, flor de melancolia
Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.
Essa mulher que a cada amor proclama
A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.
Essa mulher é um mundo!
Talvez... - mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!

Vou deixar de amar você...

deixar de amar cada vez que acordo e penso em você

Deixar de amar cada vez que mesmo de longe teu beijo me faz adormecer

Vou deixar de amar teu sorriso que me encanta

Teu olhar que me apaixona

Vou deixar de gritar meu amor que é pranto, que é brando

Vou cantar baixinho

para chegar apenas aos teus ouvidos

que vou deixar de te amar

Vou deixar de amar você

você que faz da tua ausência tua presença mais constante

Vou deixar que adormeça em mim o desejo

de amar alguém mais do que posso

Vou deixar a quem não tenho

Vou deixar meu amor ao relento

preso no infinito...

de um amor que não morre...

Vou deixar de amar você!

Esquecer por quem meu coração já nem vive...